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domingo, 11 de janeiro de 2009

Imprecisão

Estou pensando seriamente em destruir o talismã que sorteei no último Sabbat. No momento em que retirei o talismã do saquinho eu esperava por algo como amor ou prosperidade, porém quando li “SEXO” acabei ficando contente por ser algo que combina comigo e também por precisar desse elemento naqueles dias, no entanto não para o ano de 2009, mesmo gostando exageradamente do ato. O resultado eu logo obtive, até mais rápido do que eu imaginava, na verdade não na prática, pois tenho rejeitado convites, mas as opções tem sido tantas e tenho sido tão procurada que acabei perdendo um pouco o sossego. Bom, talvez eu queime esse talismã antes do tempo previsto...
Tenho vivido momentos tão confusos. Sinto que meu equilíbrio já não é o mesmo e não sei o que causara tão duvidosos sentimentos. Turbulentos pensamentos e por mais que eu queira organizá-los parece que mais fogem do meu domínio.
Saudade que continua espetando meu peito como espinho. Mesmo em seguida de momentos satisfatórios e literalmente felizes as lembranças me atacam como animais ferozes e por vezes não consigo conter a dor e as lágrimas, escondo, oculto e isso acaba me sufocando por demais. Queria arrancar essa saudade de dentro de mim, queria puxar com força isso que aperta meu perto e me faz sucumbir. Por que tenho que conviver com esse sentimento? Não é como um brinco que você tira quando não combina com a roupa. Como um objeto velho que você troca quando não lhe agrada mais.
Ainda consigo sentir o perfume dele no ar, consigo visualizar com perfeição aquele rosto sério e ríspido, consigo sentir com culminância aquele ser de 1,87 m me abraçando fortemente, 108 quilos de músculo pesando sobre meu corpo, não sei se dói mais saber que nunca esquecerei esses momentos ou saber que nunca mais poderei revivê-los.
O ser másculo e viril que veio como substituição para confortar-me novamente cruzou meu caminho, não sei se propositalmente ou por mero acaso, mas confesso que estou vibrante com a situação. Na quinta voltei com ele novamente da academia. A seriedade dele me assusta um pouco, mas ao mesmo tempo me atrai, uma antítese amena, sublime. Algumas horas depois de me deixar em casa, ele retorna. Bateu palmas, chamou pelo meu nome e quando sai, através da penumbra percebi seu contorno e logo minhas pernas me desobedeceram e eu senti como se tudo estivesse fora do controle, no entanto ele apenas voltara para devolver meu celular que caíra no carro...
A vida é mesmo um sorteio, na sexta entre bebidas, diversão e risos acabei voltando ao mesmo ponto. Como um espiral, gira, gira e retorna ao mote. A amizade fez-se por demais e retornei a beijar aquele que sempre fora um grande e importante amigo, será que um dia a história muda? Ou a cena se modifica? Ou tudo acaba se acomodando de uma forma inesperada ou talvez já prevista?
Só queria alguém que me fizesse companhia nos melhores momentos, para olhar junto o pôr-do-sol, que me acomodasse em seu colo e conversássemos a noite toda sem se preocupar com o mundo. Um homem para dormir nos braços e contar as travessuras de infância. Um ser que me fizesse rir e outras chorar. Que me deixasse maravilhada e outras vezes assustada. Que me abraçasse com carinho, abrisse a porta do carro e tomasse no mesmo copo. São coisas ridículas, devo admitir que às vezes me sinto ridícula. Mas a sociedade nos embasa com esses sonhos utópicos ridículos. Não quero por a culpa no sistema, porém é como criamos nossas crianças: a espera de uma felicidade falsa, de um conceito fantasioso e de um modelo de vida inalcançável.
Desacredito nos conceitos hipócritas dessa sociedade falha. Porém nasci em uma época cristã e alienada. Pobre de mim, que um dia amei diversos homens pelos campos férteis, vivi em uma época o qual o feminino era sagrado e exaltado e agora reencarnei nessa era a qual sou obrigada a aceitar a monogamia e o patriarcado.

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