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sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Mensagem dos Deuses

A chuva caiu fina e constante do lado de fora, uma angustia rara no meu dia a dia, percorria minha alma. Optei pela meditação para tirar a inquietude de minha mente. Como se eu tivesse um encontro marcado com as divindades ou algum ser astral, eu sentia em um canto profundo de meu ego que esse ser cruzaria meu caminho para entregar-me algo. Depois da técnica respiratória, o relaxamento e a paz transcedental. O desligamento da mente, o alcance de outra dimensão, por fim meu cérebro entrou em alfa e minha alma atravessou o plano astral. Logo, senti sob meus pés descalços a terra úmida de um caminho largo e envoltos de grandes e verdes árvores. Caminhei por algum tempo, cujo é incomparável ao tempo do plano físico, ao final do caminho existia um grande gramado verde que aguçava meu olhar. Ao centro do gramado encontrava-se um labirinto de pedra, imenso e circular. Entrei nesse labirinto e desesperadamente procurei pela saída. Vi-me perdida, presa e aflita. Continuei a procurar a saída, ou algo que precisava ser descoberto, afinal os obstáculos nunca me limitam. Após um tempo considerável encontrei a saída ao centro do labirinto, ao vê-la um tremor junto de uma vibração percorreram meu corpo, eu sentia uma espécie de alegria, orgulho, não sei ao certo.
Caminhei em direção a um grande buraco ao centro e desci por um cano que servia de escorregador para o piso inferior. Ao descer deparei-me com uma escuridão e corredores misteriosos, após atravessar tais corredores cheguei em um lugar maravilhoso, a beleza acarinhava a minha visão e fazia-me admirar todos os detalhes. Avistei, então, uma casa delicada, de madeira com cortinas rendadas. Perfeita e encantada. Admirei-a por algum tempo e decidi bater a porta. Uma moça bela de cabelos longos, pele branca e saia longa me recepcionou, fomos até o meio da sala onde se encontrava um enorme tapete de crochê redondo. Paramos uma de frente para a outra e depois de nos olharmos ela veio até mim e abraçou-me demoradamente, apertou-me contra ela e eu senti a importância de um abraço, há muito tempo alguém não me abraçava com essa intenção de consolo e proteção. Uma energia percorreu meu ser e tudo o que as divindades queriam entregar-me naquele momento de encontro e ligação era consolo e força para eu continuar meu caminho.
Lágrimas percorriam meu rosto, como há muito tempo não acontecia, chorei de emoção, de dor e ao mesmo tempo de alegria. Suportarei com esse presente, em forma de abraço, todas as dores e decepções advindas da vida. As lágrimas caiam de meus olhos como a chuva caia do céu, nós dois chorávamos um pelo outro, ou pela vida, ou por nós mesmos e eu pude, assim, mostrar a mim mesmo que eu sou forte, porém sou mulher, sofro, choro, amo, sou metade divina, mas ainda assim tenho uma porcentagem humana que tem fracassos e conflitos. Porém a mensagem dos deuses foi concluída através da meditação e pude desvenda-la com sucesso e seguir com uma grande paz que essa mulher, talvez uma ancestral, Deusa interior ou ser invisível, pode me conceder.