Ela era audaciosa e imponente, andava como uma pantera: cautelosa e soberana, voraz e delicada. Era apaixonada pela vida, pelas pessoas e pelo universo, isso era expresso em seus olhos cintilantes, sorriso constante e segurança escancarada.
Amara uma única vez e foi o suficiente para não repetir o que a inferiorizava perante a vida. Gostava de conquistar para depois sumir entre caminhos e destinos. Deixava todos com uma bagagem de admiração e rastros de sua genialidade. Manipulava e dominava como uma criança faz com uma bola. Quando pensavam que estava sendo amável e gentil, logo surgia uma trama e tramava bem, quase como um escritor de novela das oito. Também escorregava ao meio dos dedos de quem tentava segura-la, lisa e arisca, não se deixava prender-se e quando se enroscava parecia entregar-se e logo, desaparecia como ave no céu.
Ela deixava marcas, lembranças e sentimentos, e para isso, não podia permanecer, pois logo precisava estar em outro lugar, num outro momento e com outras pessoas para deixar as tais marcas que se espalham pelo mundo.
Um dia ela escorregou numa substância espessa chamada Amor, quando tentava se levantar caia novamente, a fugacidade e agilidade de nada adiantou, seu andar de pantera não serviu para esse momento e então, sentiu-se fracassada e impossibilitada com suas virtudes afogadas nessa mesma substancia. Seguiu andando e escorregando por um bom trecho de seu caminho, até entender que essa queda é fundamental para seu desenvolvimento existencial, para que seus valores se restaurem para um recomeço, assim a Roda da Vida continua a girar...
(19/07/08)
P.S. Apenas resgatando algo já publicado.


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